Valéria Anastácio nasceu em Niquelândia, no norte de Goiás, em uma família simples, onde trabalho nunca foi apenas uma obrigação — era um valor.
Filha do marceneiro Dacir Gonçalves da Silva e da dona de casa Maria Helena da Silva, cresceu vendo o pai sair de casa às 5 da manhã para trabalhar na Votorantim e retornar quase à meia-noite. Foram 34 anos de dedicação à empresa e à família, sempre carregando consigo a reputação de homem honesto e trabalhador.
A família também contava com um pequeno pedaço de terra, herdado do avô paterno, que ajudava a complementar a renda.
Os pais tiveram pouco acesso à escola. Mesmo assim, fizeram uma escolha que mudaria o destino dos filhos: garantir que Valéria e Wagner estudassem.
Desde cedo, Valéria aprendeu a ajudar em casa. Subia em um tamboretinho para lavar louça, cuidava das tarefas de casa e, conforme crescia, começou a trabalhar. Passou por um mercado e até por um cartório.
Naquele momento, ela ainda não sabia, mas algumas dessas experiências já apontavam para o futuro.
Anos depois, aquela menina que trabalhou em um cartório estaria diante de uma missão muito maior: defender o direito de famílias que lutavam para ter a escritura da própria casa.
Na escola pública, professores também deixaram marcas profundas. A educação, que seus pais não tiveram oportunidade de receber, começava a abrir para Valéria portas que pareciam distantes.
Valéria se formou técnica em Radiologia e, já adulta, decidiu dar um passo maior: mudou-se para Goiânia para cursar Direito e depois para Mato Grosso.
Era o começo de um sonho — mas também o começo de uma das fases mais difíceis de sua vida.
As circunstâncias fizeram com que precisasse interromper a faculdade e voltar a Goiânia sozinha, com o filho pequeno no colo.
O plano havia mudado.
O sonho, não.
De volta a Goiânia, Valéria precisava trabalhar para sustentar a família.
Conseguiu uma vaga de atendimento em um hospital particular na capital para ganhar um salário mínimo. Mas havia outro desafio diário: encontrar uma vaga na creche para o filho.
Chegou a enfrentar filas às 5 da manhã em busca de uma vaga — sem conseguir.
Era preciso fazer caber tudo em um orçamento apertado: aluguel, alimentação, escola e os demais custos da casa.
O curso de Direito, então, precisou esperar.
Por quase dez anos, o sonho ficou adiado.
Mas não abandonado.
A vida seguiu. E, anos depois, Valéria conheceu o advogado trabalhista Gilvan Anastácio.
Foi nesse novo momento que encontrou também o apoio e forças para retomar aquilo que havia ficado pelo caminho.
Valéria voltou à faculdade.
Dessa vez, não apenas para começar um curso, mas para concluir uma história que havia sido interrompida.
E concluiu.
Formou-se em Direito e começou a transformar a própria experiência em instrumento de defesa de outras pessoas.
Na advocacia trabalhista, Valéria encontrou uma causa que dialogava diretamente com sua própria história: a defesa de quem tem menos poder nas relações de trabalho.
Sua trajetória profissional foi crescendo.
Foi Secretária-Geral da Comissão de Direito Sindical da OAB/GO, Diretora Jurídica da AGATRA, Diretora Jurídica da Aceg e Diretora Geral da Escola Superior de Advocacia Trabalhista de Goiás (ESAT/GO), entre outras funções em entidades de classe.
Também se especializou em Direito Público e Direito Constitucional.
Ao lado de Gilvan, fundou o Instituto Ágora de Goiás, entidade dedicada à capacitação de advogados, da qual hoje é presidente.
A menina de Niquelândia agora tinha uma profissão, uma experiência e, principalmente, uma causa.
A experiência ensinou a Valéria que muitas das dificuldades enfrentadas pelas famílias brasileiras não terminam quando se ganha uma causa.
Muitas começam antes — na falta de oportunidade, no acesso desigual a direitos, na dificuldade de quem precisa ser ouvido.
Foi por isso que decidiu dar um novo passo.
Advogada trabalhista, Valéria agora coloca sua experiência a serviço da política e é candidata a deputada estadual por Goiás pela REDE Sustentabilidade, número 18020.
A missão é a mesma que acompanhou sua trajetória desde o início:
defender quem mais precisa de voz.
Valéria não começou sua história nos grandes palcos.
Começou em uma casa simples de Niquelândia, vendo o pai trabalhar de sol a sol e aprendendo com a mãe o valor da família. Aprendeu cedo que nada vem fácil. Que é preciso lutar. E que estudar pode mudar um destino.
Enfrentou recomeços, dificuldades financeiras, filas de creche e uma faculdade interrompida por quase uma década.
Mas voltou.
Tornou-se advogada. Construiu uma carreira. Passou a ocupar espaços de liderança. E transformou sua própria trajetória em compromisso com quem precisa de defesa e oportunidade.
Agora, leva essa história para a política.
Porque, para Valéria, defender direitos nunca foi apenas uma profissão.
É uma escolha de vida.
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